Após a passagem da tempestade Martinho, em 2024, e mais recentemente das tempestades Ingrid, Joseph e Kristin, a Serra de Sintra revelou-se marcada por perdas profundas e imagens de grande violência visual. Perante esse cenário, o autor opta conscientemente por não mostrar árvores tragicamente destruídas.

Em vez disso, este projeto dirige o olhar para as árvores que permaneceram de pé. Não como símbolos heroicos, mas como presenças silenciosas de resistência e continuidade. Árvores feridas, dobradas, transformadas — mas ainda enraizadas no território, ainda respirando o tempo.

Estas fotografias procuram afastar-se do espetáculo da devastação e aproximar-se de uma ideia de resiliência discreta. São imagens que não negam a violência das tempestades, mas escolhem habitar o intervalo que se segue: o momento em que a paisagem recompõe o fôlego e insiste em existir.

Clicar na imagem para ver as fotografias.

Este conjunto de fotografias nasce de uma viagem fotográfica feita com um camarada meu — fotógrafo e também Oficial da Marinha Mercante. A palavra camarada não é aqui usada por acaso, é assim que nos tratamos todos aqueles que partilhámos a vida no mar.

Partimos de Fafião, entrámos na serra e seguimos caminho por Somiedo, descendo depois até à costa atlântica das Astúrias, regressando finalmente a Pitões das Júnias. Foi um percurso feito devagar, guiado pela luz, pelo silêncio das montanhas e pela presença constante do Atlântico.

O primeiro esboço deste projeto foi constituído por 26 imagens. Após o processo de seleção, o portfólio final ficou composto por 12 fotografias.

Esta seleção foi efetuada pela interceção da escolha de 36 participantes.

A todos os que participarem, deixo desde já o meu sincero agradecimento.

26 FOTOGRAFIAS INICIAIS

12 FOTOGRAFIAS FINAIS

Muito obrigado a todos os participantes.