Após a passagem da tempestade Martinho, em 2024, e mais recentemente das tempestades Ingrid, Joseph e Kristin, a Serra de Sintra revelou-se marcada por perdas profundas e imagens de grande violência visual. Perante esse cenário, o autor opta conscientemente por não mostrar árvores tragicamente destruídas.
Em vez disso, este projeto dirige o olhar para as árvores que permaneceram de pé. Não como símbolos heroicos, mas como presenças silenciosas de resistência e continuidade. Árvores feridas, dobradas, transformadas — mas ainda enraizadas no território, ainda respirando o tempo.
Estas fotografias procuram afastar-se do espetáculo da devastação e aproximar-se de uma ideia de resiliência discreta. São imagens que não negam a violência das tempestades, mas escolhem habitar o intervalo que se segue: o momento em que a paisagem recompõe o fôlego e insiste em existir.